domingo, 19 de agosto de 2012
Excerto das Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano
IMAGEM: Theodoro de Bry (1528-1598), “Pizarro suelta los perros”.
Não se salvam, atualmente, nem mesmo os índios que vivem isolados no fundo das selvas. No começo deste século, sobreviviam ainda 230 tribos no Brasil; desde então desapareceram 90, aniquiladas por obra e graça das armas de fogo e micróbios. Violência e doenças, pontas de lança da civilização: o contato com o homem branco continua sendo,para os indígenas, o contato com a morte. As disposições legais que desde 1537 protegem os índios do Brasil voltaram-se contra eles. De acordo com o texto de todas as constituições brasileiras, são “os primitivos e naturais senhores” das terras que ocupam. Ocorre que quanto mais ricas são estas terras virgens mais grave é a ameaça que pende sobre suas vidas; a generosidade da natureza os condena à espoliação e ao crime.
A caça de índios foi deflagrada, nos últimos anos, com furiosa crueldade; a maior selva do mundo, gigantesco espaço tropical aberto à lenda e à aventura, converteu-se, simultaneamente, no cenário de um novo “sonho americano”. Em ritmo de conquista, homens e empresas dos Estados Unidos lançaram-se sobre a Amazônia como se fosse um novo Far West. Esta invasão norte-americana incendiou como nunca a cobiça dos aventureiros brasileiros. Os índios morrem sem deixar rastros e as terras são vendidas em dólares aos novos interessados.
O ouro e outros minerais vultosos, a madeira e a borracha, riquezas cujo valor comercial os nativos ignoram, aparecem vinculadas aos resultados de cada uma das escassas investigações que foram realizadas. Sabe-se que os indígenas foram metralhados dos helicópteros e teco-tecos, que se lhes inoculou o vírus da varíola, que se lançou dinamite sobre suas aldeias e se lhes presenteou açúcar misturado com estricnina e sal com arsênico.
O próprio diretor do extinto Serviço de Proteção aos índios, designado pelo presidente Castelo Branco para sanear a administração, foi acusado, com provas, de cometer quarenta e dois tipos diferentes de crimes contra os índios. O escândalo explodiu em 1968.
A sociedade indígena de nossos dias não existe no vazio, fora do marco geral da
economia latino-americana. É verdade que há tribos brasileiras ainda encerradas na selva, comunidades do altiplano isoladas por completo do mundo, redutos de barbárie na fronteira da Venezuela, mas no geral os índios estão incorporados no sistema de produção e no mercado de consumo, embora de forma indireta. Participam, como vítimas, de uma ordem econômica e social onde desempenham o duro papel dos mais explorados entre os explorados.
“O descobrimento das jazidas de ouro e prata da América, a cruzada de extermínio, escravização e sepultamento nas minas da população aborígene, o começo da conquista e o saqueio das Índias Orientais, a conversão do continente africano em local de caça de escravos negros: são todos feitos que assinalam os alvores da era de produção capitalista. Estes processos idílicos representam outros tantos fatores fundamentais no movimento da acumulação original” - I TOMO DE O CAPITAL, KARL MARX
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Os nossos tupinambás muito se admiram dos franceses e outros estrangeiros se darem ao trabalho de ir buscar os seus arabutan. Uma vez um velho perguntou-me: Por que vindes vós outros, maírs e perôs (franceses e portugueses) buscar lenha de tão longe para vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra? Respondi que tínhamos muita, mas não daquela qualidade, e que não a queimávamos, como ele o supunha, mas dela extraíamos tinta para tingir, tal qual o faziam eles com os seus cordões de algodão e suas plumas.
Retrucou o velho imediatamente: e porventura precisais de muito? – Sim, respondi-lhe, pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que podeis imaginar e um só deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados. – Ah! Retrucou o selvagem, tu me conta maravilhas, acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera: Mas esse homem tão rico de que me falas não morre? – Sim, disse eu, morre como os outros.
Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim, por isso perguntou-me de novo: e quando morrem para quem fica o que deixam? – Para seus filhos se os têm, respondi; na falta destes para os irmãos ou parentes mais próximos. – Na verdade, continuou o velho, que, como vereis, não era nenhum tolo, agora vejo que vós outros maírs sois grandes loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem? Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que depois da nossa morte a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Balada da Esplanada, de Oswald de Andrade
Ontem à noite
Eu procurei
Ver se aprendia
Como é que se fazia
Uma balada
Antes de ir
Pro meu hotel.
É que este
Coração
Já se cansou
De viver só
E quer então
Morar contigo
No Esplanada
Eu queria
Poder
Encher
Este papel
De versos lindos
É tão distinto
Ser menestrel
No futuro
As gerações
Que passariam
Diriam
É o hotel
É o hotel
Do menestrel.
Pra me inspirar
Abro a janela
Como um jornal
Vou fazer
A balada
Do Esplanada
E ficar sendo
O menestrel
Do meu hotel
Mas não há, poesia
Num hotel
Mesmo sendo
'Splanada
Ou Grande-Hotel
Há poesia
Na dor
Na flor
No beija-flor
No elevador
domingo, 1 de abril de 2012
A Mãe, de Máximo Gorki
Todos os dias, o apito pungente da fábrica cortava o ar enfumaçado e pegajoso que envolvia o bairro operário e, obedientes ao chamado, seres sombrios, de músculos ainda cansados, deixavam seus casebres, acanhados e escuros, feito baratas assustadas. Sob o frio amanhecer, seguiam pela rua esburacada em direção às enormes jaulas de pedra da fábrica que os aguardava desdenhosa, iluminando o caminho lamacento com centenas de olhos empapuçados. Os pés pisavam na lama. Vozes sonolentas emitiam roucas saudações, palavrões dilaceravam, raivosamente, o ar. Mas eram diferentes os sons que acolhiam os operários: pesadas máquinas em funcionamento, o resfolegar do vapor.
As enormes chaminés negras, qual grossas toras de madeira, apontavam para o céu, dando ao ambiente um ar sombrio e severo.
Com o por do sol, cujos raios vermelhos iluminavam, cansados, os vidros das casas, a fábrica vomitava os seres de suas entranhas de pedra, como se fossem escória, enegrecido pela fuligem, sujos, fedendo a óleo, com o brilho branco dos dentes famintos. Agora, suas vozes demonstravam mais vida e até mais alegria. Por ora, a tortura violenta do trabalho havia terminado. Aguardava-os, em casa, o jantar e o descanso.
O dia consumira-se na fábrica, suas máquinas sugaram de seus músculos toda a energia de que necessitava. Mais um dia irremediavelmente riscado de suas vidas, o homem dera mais um passo em direção ao túmulo, mas ele antevia, apenas, o gozo imediato do descanso, as alegrias do bar repleto de fumaça e sentia-se satisfeito.*
*abertura
As enormes chaminés negras, qual grossas toras de madeira, apontavam para o céu, dando ao ambiente um ar sombrio e severo.
Com o por do sol, cujos raios vermelhos iluminavam, cansados, os vidros das casas, a fábrica vomitava os seres de suas entranhas de pedra, como se fossem escória, enegrecido pela fuligem, sujos, fedendo a óleo, com o brilho branco dos dentes famintos. Agora, suas vozes demonstravam mais vida e até mais alegria. Por ora, a tortura violenta do trabalho havia terminado. Aguardava-os, em casa, o jantar e o descanso.
O dia consumira-se na fábrica, suas máquinas sugaram de seus músculos toda a energia de que necessitava. Mais um dia irremediavelmente riscado de suas vidas, o homem dera mais um passo em direção ao túmulo, mas ele antevia, apenas, o gozo imediato do descanso, as alegrias do bar repleto de fumaça e sentia-se satisfeito.*
*abertura
domingo, 25 de março de 2012
XXXVI - O vampiro, de Baudelaire
Tu que, como uma punhalada,
Em meu coração penetraste,
Tu que, qual furiosa manada
De demônios, ardente, ousaste.
De meu espírito humilhado,
Fazer teu leito e possessão
- Infame à qual estou atado
Como o galé ao seu grilhão,
Como ao baralho o jogador,
Como à carniça o parasita,
Como à garrafa o bebedor
- Maldita sejas tu, maldita!
Supliquei ao gládio veloz
Que a liberdade me alcançasse,
E ao veneno, pérfido algoz,
Que a covardia me amparasse.
Ai de mim! com mofa e desdém,
Ambos me disseram então:
"Digno não és de que ninguém
Jamais te arranque à escravidão,
Imbecil!- se de teu retiro
Te libertássemos um dia,
Teu beijo ressuscitaria
O cadáver de teu vampiro!"
Charles Baudelaire (1821-1867)
Em meu coração penetraste,
Tu que, qual furiosa manada
De demônios, ardente, ousaste.
De meu espírito humilhado,
Fazer teu leito e possessão
- Infame à qual estou atado
Como o galé ao seu grilhão,
Como ao baralho o jogador,
Como à carniça o parasita,
Como à garrafa o bebedor
- Maldita sejas tu, maldita!
Supliquei ao gládio veloz
Que a liberdade me alcançasse,
E ao veneno, pérfido algoz,
Que a covardia me amparasse.
Ai de mim! com mofa e desdém,
Ambos me disseram então:
"Digno não és de que ninguém
Jamais te arranque à escravidão,
Imbecil!- se de teu retiro
Te libertássemos um dia,
Teu beijo ressuscitaria
O cadáver de teu vampiro!"
Charles Baudelaire (1821-1867)
sexta-feira, 23 de março de 2012
Reformar o pensamento para reformar a Comissão Nacional da Verdade
A luta pela instauração e funcionamento da Comissão Nacional da Verdade reflete os anseios do povo em buscar a defesa da memória, da verdade e da justiça da nação brasileira, com o objetivo de fortalecer o Estado de Direito e Democrático. Neste sentido, configura-se como um instrumento popular e de combate àqueles que violaram os direitos humanos e a construção da cidadania na sociedade na época da Ditadura Militar.
Proposta no 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, em dezembro de 2009, a Comissão Nacional da Verdade vai investigar através de sete membros escolhidos pela Presidência da República, carniceiros e assassinos que atuaram entre 1946 e 1988. Enviada ao Congresso Nacional em maio de 2010, a ação do Executivo é inspirada e concatenada com a experiência de vários países que tiveram suas veias abertas como Uruguai, Equador, Peru, Panamá, Timor Leste, Serra Leoa, Libéria, Quênia e vários outros países.
No entanto, a experiência brasileira corre sério perigo de se tornar mais um instrumento ineficaz. Além de estar impedida de fazer justiça, pois não pode punir as quimeras de outrora, a Comissão sofre com a ilegalidade de direitos estruturada pelo aparelho judiciário do governo dito democrático, “onde está reservado o direito de desviar seus próprios regulamentos e suas próprias leis; (...)por um jogo que se desenrola nas margens da legislação – margens previstas por seus silêncios, ou liberadas por uma tolerância de fato”.¹
Sancionada pela presidente Dilma Roussef em 18 de novembro de 2011, a Comissão Nacional da Verdade já passou por diversas mudanças, principalmente para atender queixas dos militares (muitos, inclusive, componentes do atual organismo estatal). Adendos como a retirada do texto do termo “repressão política”, o tempo muito curto de dois anos para os membros da Comissão diagnosticarem os culpados e a não obrigatoriedade dos acusados de comparecerem aos depoimentos, além da proibição de poder punir ou recomendar que os mesmos sejam condenados, tornam obsoleta esta nova arma do povo.
Talvez a mudança de mentalidade dos engajados nesta vigilância e punição seja necessária para evitar que as coisas mudem para permanecerem do mesmo jeito. Desse modo, a reforma do pensamento repensaria a reforma e incluiria todos os corruptos como alvos das acusações, pois a ilegalidade dos direitos – fraudes, evasões fiscais, operações comerciais irregulares e inúmeras outras violações - acarreta na morte e tortura de milhares de seres humanos no Brasil. Segundo o filósofo francês Michel Foucault, os suplícios diretos sempre deixam marcas indeléveis na sociedade e, consequentemente, o anseio por punição dos acusados.
Contudo, além da justiça contra aqueles que roubam tua carteira ou praticam a repressão física direta, está na hora de parar-nos de aplaudir e de ser conivente com aqueles que roubam e matam milhões de pessoas todos os dias. Através dessa mudança mental, intrínseca a correções na legislação da Comissão Nacional da Verdade, será possível alcançar o verdadeiro Estado de Direito e Democrático do nosso país e alcançar o tempo perdido.
Notas:
1. FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir, trad. Raquel Ramalhete. 38. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010. pag. 84.
Proposta no 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, em dezembro de 2009, a Comissão Nacional da Verdade vai investigar através de sete membros escolhidos pela Presidência da República, carniceiros e assassinos que atuaram entre 1946 e 1988. Enviada ao Congresso Nacional em maio de 2010, a ação do Executivo é inspirada e concatenada com a experiência de vários países que tiveram suas veias abertas como Uruguai, Equador, Peru, Panamá, Timor Leste, Serra Leoa, Libéria, Quênia e vários outros países.
No entanto, a experiência brasileira corre sério perigo de se tornar mais um instrumento ineficaz. Além de estar impedida de fazer justiça, pois não pode punir as quimeras de outrora, a Comissão sofre com a ilegalidade de direitos estruturada pelo aparelho judiciário do governo dito democrático, “onde está reservado o direito de desviar seus próprios regulamentos e suas próprias leis; (...)por um jogo que se desenrola nas margens da legislação – margens previstas por seus silêncios, ou liberadas por uma tolerância de fato”.¹
Sancionada pela presidente Dilma Roussef em 18 de novembro de 2011, a Comissão Nacional da Verdade já passou por diversas mudanças, principalmente para atender queixas dos militares (muitos, inclusive, componentes do atual organismo estatal). Adendos como a retirada do texto do termo “repressão política”, o tempo muito curto de dois anos para os membros da Comissão diagnosticarem os culpados e a não obrigatoriedade dos acusados de comparecerem aos depoimentos, além da proibição de poder punir ou recomendar que os mesmos sejam condenados, tornam obsoleta esta nova arma do povo.
Talvez a mudança de mentalidade dos engajados nesta vigilância e punição seja necessária para evitar que as coisas mudem para permanecerem do mesmo jeito. Desse modo, a reforma do pensamento repensaria a reforma e incluiria todos os corruptos como alvos das acusações, pois a ilegalidade dos direitos – fraudes, evasões fiscais, operações comerciais irregulares e inúmeras outras violações - acarreta na morte e tortura de milhares de seres humanos no Brasil. Segundo o filósofo francês Michel Foucault, os suplícios diretos sempre deixam marcas indeléveis na sociedade e, consequentemente, o anseio por punição dos acusados.
Contudo, além da justiça contra aqueles que roubam tua carteira ou praticam a repressão física direta, está na hora de parar-nos de aplaudir e de ser conivente com aqueles que roubam e matam milhões de pessoas todos os dias. Através dessa mudança mental, intrínseca a correções na legislação da Comissão Nacional da Verdade, será possível alcançar o verdadeiro Estado de Direito e Democrático do nosso país e alcançar o tempo perdido.
Notas:
1. FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir, trad. Raquel Ramalhete. 38. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010. pag. 84.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
O Deus-verme, de Augusto dos Anjos (1884-1914)
Factor universal do
transformismo.
Filho da teleológica matéria,
Na superabundância ou na
miséria,
Verme - é o seu nome obscuro
de batismo.
Jamais emprega o acérrimo
exorcismo
Em sua diária ocupação
fúnerea,
E vive em contubérnio com a
bactéria,
Livre das roupas do
antropomorfismo.
Almoça a podridão das drupas
agras,
Janta hidrópicos, rói vísceras
magras
E dos defuntos novos incha a
mão...
Ah! Para ele é que a carna
podre fica,
E no inventário da matéria rica
Cabe aos seus filhos a maior
porção!
transformismo.
Filho da teleológica matéria,
Na superabundância ou na
miséria,
Verme - é o seu nome obscuro
de batismo.
Jamais emprega o acérrimo
exorcismo
Em sua diária ocupação
fúnerea,
E vive em contubérnio com a
bactéria,
Livre das roupas do
antropomorfismo.
Almoça a podridão das drupas
agras,
Janta hidrópicos, rói vísceras
magras
E dos defuntos novos incha a
mão...
Ah! Para ele é que a carna
podre fica,
E no inventário da matéria rica
Cabe aos seus filhos a maior
porção!
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Admirável mundo novo 2.0 - A celebração do amadorismo, por Caio Rodrigues

Apesar de ser um importante, eficiente e democrático instrumento de educação, a internet no Brasil está ameaçando nossa cultura, valores e criatividade. Sem medo de parecer radical, nossa cultura está se transformando em uma rede de banalidades e desinformação em que qualquer um pode falar o que quiser, sem preocupação com a relevância ou a veracidade das informações. É a celebração do amadorismo: qualquer pessoa pode publicar um blog, postar um vídeo no YouTube, alterar um verbete no wikipedia e ser o sábio no Facebook. Mas, se a rede mundial é um importante instrumento de educação porque ela vem se tornando uma mistura de ignorância com egoísmo, mau gosto e ditadura das massas?
A resposta é simples: você. Isso mesmo. O culpado por ela se transformar nessa idiotia é você. Bem-vindo ao admirável mundo novo 2.0. Segundo a teoria do avô de Aldous Huxley, o evolucionista do século XIX, T. H. Huxley, conhecida por “teorema do macaco infinito”, se fornecermos a um número infinito de macacos um número infinito de máquinas de escrever, alguns macacos em algum lugar vão acabar criando uma obra-prima. A tecnologia de hoje vincula todos aqueles macacos a todas aquelas máquinas de escrever. Com a diferença de que em nosso mundo Web 2.0 as máquinas de escrever não são mais máquinas de escrever, e sim computadores pessoais conectados em rede, e os macacos não são exatamente macacos, mas usuários de internet. E em vez de criarem obras-primas, esses milhões e milhões de macacos exuberantes estão criando uma interminável floresta de mediocridade. Pois os macacos amadores de hoje podem usar seus computadores conectados em rede para publicar qualquer coisa, de comentários políticos mal informados a vídeos caseiros de mau gosto, passando por música embaraçosamente mal acabada e poemas, críticas, ensaios e romances ilegíveis.
Vamos aos exemplos: o Youtube eclipsa até os blogs na vacuidade e absurdo de seu conteúdo. Nada parece prosaico demais, ou narcísico demais, para esses macacos autores de vídeos. O site é uma galeria infinita de filmes amadores mostrando pobres idiotas dançando, cantando, comendo, lavando-se, dirigindo, limpando, dormindo ou simplesmente olhando para seus computadores. Mais perturbador que o fato de milhões de nós sintonizarmos de bom grado esse tipo de tolice diariamente é que alguns sites da web estão nos transformando em macacos sem sequer nos darmos conta. Quando digitamos palavras no mecanismo de busca do Google, estamos de fato criando algo chamado “inteligência coletiva”, a sabedoria total de todos os usuários do Google. A lógica do mecanismo de busca do Google, que os tecnólogos chamam de seu algoritmo, reflete a “sabedoria” das massas. Em outras palavras, quanto mais pessoas clicam num link que resulta de uma busca, mais provável se torna que esse link apareça em buscas consequentes. O mecanismo de busca é uma agregação de 90 milhões de perguntas que fazemos coletivamente ao Google a cada dia; em outras palavras, ele só nos diz o que já sabemos.
Esse infinito desejo de atenção pessoal está movendo a parte mais dinâmica da nova economia da internet – redes sociais como MySpace, Facebook, Bebo e Orkut. Como santuários para o culto da autotransmissão, esses sites tornaram-se repositórios de nossos desejos e identidades individuais. Eles se dizem devotados à interação social, mas na realidade existem para que possamos fazer propaganda de nós mesmos: desde nossos livros e filmes favoritos até as fotos de nossas férias de verão, sem esquecer “testemunhos” elogiando nossas qualidades mais cativantes ou recapitulando nossas últimas farras.
Vale salientar que tudo isso não é culpa de internet. Repito: é sua culpa. Na internet tem informação de qualidade e bobagem, educação e merda. Então porque o vídeo de Luíza tem milhões de acessos e um documentário sobre Darcy Ribeiro tem 10 mil visualizações? Porque as pessoas passam metade do seu tempo no Facebook do que lendo dissertações ou livros que já foram digitalizados? Porque não reformamos o pensamento para repensar a verdadeira reforma: a educacional. Uma educação como prática da liberdade e que quebre os valores nefastos que enegrecem nossa sociedade. Desse modo, quando as pessoas são ignorantes, desinformadas e sem consciência de suas atitudes, acabamos por apoiar cegamente uma cultura que endossa o plágio e o amadorismo. A propósito, será que Luiza foi mesmo pro Canadá?
sábado, 14 de janeiro de 2012
O estrangeiro, de Albert Camus

Apontado como niilista, revoltado, existencialista e comunista, Albert Camus foi sempre uma figura controvertida. O que não impediu que fosse considerado um dos maiores escritores franceses. Poucos conseguiam construir uma análise tão profunda e avassaladora da existência humana e do sentido da vida como o escritor, romancista, ensaísta, dramaturgo e filósofo francês nascido no ano de 1913 em Mondovi, na Argélia, país do Maghreb africano.
Camus não era propriamente um filósofo, mas, como escritor, interpretava dramaticamente as angústias e as esperanças da geração crescida entre os horrores da guerra. Em O estrangeiro, livro lançado em 1942 e que se tornou uma de suas principais obras, o protagonista do romance Mersault, anti-herói que personifica o Homem Absurdo, mergulha num mundo sem emoções, vivendo fora do sentimento e da tradição.
A carência de sensibilidade se transformará na própria arma que o tornará vítima da justiça. Entretanto, nem mesmo a máquina judiciária o fará mudar de comportamento. A inexistência de emoções leva a personagem a um vazio interior. Mersault passa por uma crise existencial que ultrapassa as fronteiras da compreensão humana. Desde a notificação da morte da mãe, passando por um ato homicida até a confirmação da condenação, ele age da mesma maneira.
Essa indiferença não se faz presente somente nesses fatos, os mais importantes dentro da trama, mas também em outras situações elementares e com menores relevâncias. O absurdo existencial da personagem procura conduzir o leitor a uma identificação com essa experiência, a mergulhar num mar vazio, onde a essência da vida é simplesmente viver. Por outro lado, a análise do trabalho como “arte” reside na capacidade de modificar o comportamento do leitor.
Ou o mesmo se adere à crise existencial ou repudia a conduta; repúdio que poderá comprometer a relação com o próprio autor. Talvez seja esse conflito que Albert Camus queira estabelecer em nossas vidas: a visão de que somos nada mais do que simples animais irracionais em nossa singela existência, que a morte nada mais é do que uma conseqüência natural da vida e que os sentimentos e a racionalidade não podem prevalecer diante de qualquer circunstância.
Dessa maneira, O estrangeiro é incrivelmente bem-sucedido pela maneira como conduz o leitor a uma reflexão existencialista da vida. Até hoje, é uma de suas obras mais conhecidas e discutidas, ao lado dos romances “A peste” e “A queda”, das peças de teatro “Calígula” e “Estado de Sítio”, dos ensaios “O homem rebelde” e “O mito de Sísifo”. Suas atividade continuaram até 1960, quando morreu em um acidente de automóvel, numa estrada da França, com apenas quarenta e sete anos de idade. Três anos antes, recebeu a consagração mundial pela sua obra, representada pelo Prêmio Nobel de literatura.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Os mortos, de Ferreira Gullar
Os mortos vêem o mundo
pelos olhos dos vivos
eventualmente ouvem,
como nossos ouvidos,
certas sinfonias
algum bater de
portas,
ventanias
Ausentes
de corpo e alma
misturam o seu ao nosso riso
se de fato
quando vivos
acharam a mesma graça
pelos olhos dos vivos
eventualmente ouvem,
como nossos ouvidos,
certas sinfonias
algum bater de
portas,
ventanias
Ausentes
de corpo e alma
misturam o seu ao nosso riso
se de fato
quando vivos
acharam a mesma graça
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Papai Noel, um ícone cultural nascido no século IV

O simpático velhinho de roupa vermelha e barba branca, que vemos nestes dias com destaque em centros comerciais de todo o mundo, tornou-se um ícone cultural da sociedade de consumo do terceiro milênio.
Apesar de ter se inspirado em um bispo que viveu no século IV da nossa era, o sorridente personagem que encanta as crianças foi construído nos últimos 17 séculos com elementos de mitos de diversas regiões e países.
O personagem original foi bispo da cidade de Mira, no antigo reino de Lícia - na atual Turquia - de nome Nicolau, célebre pela generosidade com crianças e pobres, mas que, mesmo assim, foi perseguido e preso pelo imperador Diocleciano.
Com a chegada de Constantino ao trono de Bizâncio, o bispo Nicolau foi libertado e pôde participar do Concílio de Nicéia (325). Após a sua morte, foi canonizado pela Igreja Católica como São Nicolau. Surgiram, então, incontáveis histórias de milagres realizados pelo santo em benefício de pobres e desamparados.
Nos primeiros séculos após sua morte, São Nicolau tornou-se padroeiro da Rússia e Grécia, bem como de inúmeras sociedades beneficentes e das crianças, jovens solteiras, marinheiros, mercadores e prestamistas.
A partir do século VI, foram erguidas várias igrejas dedicadas ao santo, mas essa tendência foi interrompida com a Reforma, quando o culto a São Nicolau desapareceu da Europa protestante, com exceção da Holanda, onde era chamado de Sinterklaas.
Na Holanda, a lenda do Sinterklaas fundiu-se a antigas histórias nórdicas sobre um mago mítico que andava em um trenó puxado por renas, premiava com presentes as crianças boas e castigava as que se comportavam mal. No século XI, mercadores italianos que passavam por Mira roubaram relíquias de São Nicolau e as levaram para Bari.
A partir daí, essa cidade italiana onde o santo jamais colocou os pés tornou-se um centro de devoção e peregrinação.
No século XVII, emigrantes holandeses levaram a tradição de Sinterklaas para os Estados Unidos, cujos habitantes adaptaram o nome para Santa Claus, mais fácil de ser pronunciado, e criaram uma nova lenda, consolidada no século XIX, sobre um velhinho alegre e bonachão que percorria o mundo em seu trenó no Natal, distribuindo presentes.
Enquanto nos Estados Unidos ele era conhecido como Santa Claus, do outro lado do Atlântico, no Reino Unido, chamava-se Father Christmas (Papai Noel). Com um nome ou outro, o certo é que o personagem baseado no bispo Nicolau tornou-se rapidamente o símbolo do Natal - estimulando as fantasias infantis - e, principalmente, ícone do comércio de presentes de Natal, que movimenta anualmente bilhões de dólares.
A tradição não demorou a cruzar novamente o Atlântico, dessa vez renovada, e se espalhar para vários países europeus, em alguns dos quais Santa Claus mudou de nome. Na França, o Father Christmas dos ingleses foi traduzido para Père Noël, na Espanha para Papá Noel e em Portugal para Pai Natal, espalhando-se rapidamente pela América Latina.
Dizem ainda que o visual moderno do Papai Noel (roupas vermelhas e gorro com barrete branco) teria sido uma invenção da Coca-Cola, que nos anos 30 promoveu uma campanha repaginando o Bom Velhinho com as cores oficiais de seu produto.
Fonte: AFP
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Guqin, refino para a classe erudita chinesa
Quando a China reunificada sob o domínio da dinastia Song (960-1279), a influência de administradores civis bem-educados foi estimulada. A impressão melhorou com a invenção dos tipos móveis em 1040, o que ajudou na produção e na divulgação de textos.
A erudição era muito admirada entre as camadas mais altas da sociedade e o povo, e o mecenato e as artes floresceram, mas nem sempre por altruísmo. Imperadores e oficiais, sempre preocupados com as ameaças do norte, ansiavam por encomendar obras que retratassem precedentes antigos que justificassem sua autoridade.
Imperadores como Huizong (1100-1126) se orgulhavam de seus talentos como calígrafo, músico ou pintor, e algumas das obras por eles criadas sobreviveram. Na pintura em seda de Huizong intitulada Ouvindo Qin, o imperador toca guqin, um instrumento musical de sete cordas.
Apreciar a música do qin em meio a uma bela paisagem era considerada uma atividade apropriadamente refinada para a classe governante erudita da dinastia Song, e o interesse pelo qin continua a ter uma importância social na China de hoje.
sábado, 8 de outubro de 2011
A louca, de Augusto dos Anjos (1884-1914)

A Dias Paredes
Quando ela passa: - a veste
desgrenhada,
O cabelo revolto em desalinho,
No seu olhar feroz eu adivinho
O mistério da dor que a traz
penada.
Moça, tão moça e já
desventurada;
Da desdita ferida pelo espinho,
Vai morta em vida assim pelo
caminho,
No sudário de mágoa sepultada.
Eu sei a sua história. – Em seu
passado
Houve um drama d’amor
misterioso
- O segredo d’um peito
torturado –
E hoje, para guardar a mágoa
oculta,
Canta, soluça – coração
saudoso,
Chora, garganta, a desgraçada
estulta.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Fundação de Cultura abre inscrições para o 1º Seminário do Cangaço
A Fundação de Cultura Cidade do Recife abre as inscrições para o 1º Seminário do Cangaço do Recife, nesta segunda-feira (03) até o dia 21 de outubro. Os interessados devem ir a sede da Gerência, localizada na sala 22, 6° andar do edifício-sede da Prefeitura do Recife, Bairro do Recife, para efetuar a inscrição. Serão oferecidas 150 vagas.
O 1º Seminário do Cangaço do Recife vai acontecer nos dias 25 e 26 de outubro, na Livraria Cultura e contará com as presenças de Expedita e Vera Ferreira, respectivamente filha e neta de Lampião e Maria Bonita. Serão abordados temas como, a presença da mulher no cangaço; o cangaço e a literatura; a estética do cangaço; história e memória do cangaço; entre outros.
O 1º Seminário do Cangaço do Recife vai acontecer nos dias 25 e 26 de outubro, na Livraria Cultura e contará com as presenças de Expedita e Vera Ferreira, respectivamente filha e neta de Lampião e Maria Bonita. Serão abordados temas como, a presença da mulher no cangaço; o cangaço e a literatura; a estética do cangaço; história e memória do cangaço; entre outros.
Oficina de grafitagem leva arte dos jovens de Santo Amaro às ruas
A Prefeitura do Recife inicia, na tarde desta quinta-feira (29), às 14h, no Centro da Juventude de Santo Amaro, localizado na Avenida Norte, 869, mais uma atividade do projeto Inserção Multicultural da Linguagem das Artes do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). Cerca de 20 jovens com idades entre 16 e 29 anos participam de uma ação de grafitagem no viaduto Presidente Médici, na avenida Norte.
O trabalho faz parte da oficina do projeto e será inspirada nos seis eixos do Plano Nacional dos Direito Humanos. O término da grafitagem está previsto para o dia 14 de outubro. A coordenadora do projeto, Maria de Fátima, afirma que esta é uma grande oportunidade de inserção social e transformação de vida. “Esses jovens estão tendo oportunidade de aprender e se descobrir, através da arte”.
O trabalho faz parte da oficina do projeto e será inspirada nos seis eixos do Plano Nacional dos Direito Humanos. O término da grafitagem está previsto para o dia 14 de outubro. A coordenadora do projeto, Maria de Fátima, afirma que esta é uma grande oportunidade de inserção social e transformação de vida. “Esses jovens estão tendo oportunidade de aprender e se descobrir, através da arte”.
Histórias de casarões do bairro da Madalena serão detalhadas em passeio gratuito
A história do bairro da Madalena e as pontes do subúrbio serão o tema do próximo roteiro do programa ′Conheça o Recife`, que será realizado neste sábado (1º), com saída marcada para às 14h da Praça do Arsenal. O passeio vai contemplar os casarões da Rua Benfica, residência dos barões do açúcar do século XIX, e visitará o Mercado da Madalena, que já foi conhecido como mercado do Bacurau, por funcionar no período noturno.
Também fazem parte do roteiro, as Pontes Joaquim Cardoso, Joana Bezerra, Gregório Bezerra, Estácio Coimbra, Lima de Castro, Professor Morais Rego, conhecida como Capunga, da Torre e Torre Parnamirim. O passeio também contemplará o Museu da Abolição, conhecido como sobrado da Madalena.
Na Rua Benfica, serão destacados o batalhão Mathias de Albuquerque, um dos mais antigos do Brasil, a Pensão Lady, prédio em estilo árabe onde pessoas famosas se hospedavam, sala Baltazar da Câmara, que fica no Centro Cultural Benfica, e a Praça Euclides da Cunha, projeto de Burle Marx que abriga uma escultura de Abelardo da Hora intitulada “O Sertanejo”.
O `Conheça o Recife` é realizado pela prefeitura do Recife e é gratuito. No entanto, os interessados devem se inscrever através do telefone 3355-8847 e no dia do passeio levar um pacote de leite para ser doado ao Núcleo de Apoio aos Idosos.
Também fazem parte do roteiro, as Pontes Joaquim Cardoso, Joana Bezerra, Gregório Bezerra, Estácio Coimbra, Lima de Castro, Professor Morais Rego, conhecida como Capunga, da Torre e Torre Parnamirim. O passeio também contemplará o Museu da Abolição, conhecido como sobrado da Madalena.
Na Rua Benfica, serão destacados o batalhão Mathias de Albuquerque, um dos mais antigos do Brasil, a Pensão Lady, prédio em estilo árabe onde pessoas famosas se hospedavam, sala Baltazar da Câmara, que fica no Centro Cultural Benfica, e a Praça Euclides da Cunha, projeto de Burle Marx que abriga uma escultura de Abelardo da Hora intitulada “O Sertanejo”.
O `Conheça o Recife` é realizado pela prefeitura do Recife e é gratuito. No entanto, os interessados devem se inscrever através do telefone 3355-8847 e no dia do passeio levar um pacote de leite para ser doado ao Núcleo de Apoio aos Idosos.
Rir ajuda a enfrentar a dor, diz estudo
Compartilhar uma sonora gargalhada com amigos pode ajudar a amenizar a dor, graças a uma série de substâncias químicas similares aos opiáceos que invadem o cérebro quando se dá uma risada, revelou um estudo britânico publicado no periódico Proceedings of the Royal Society B, da Academia de Ciências da Grã-Bretanha.
Nos experimentos feitos em laboratórios, os voluntários assistiam ora a clipes de comédia das séries Mr. Bean ou Friends, ora a trechos de programas não humorísticos, como uma partida de golfe ou programas sobre a vida selvagem. Enquanto isso, a resistência à dor dos participantes era monitorada pelos cientistas britânicos.
Em outro teste, realizado no Festival Fringe, de Edimburgo — evento anual que inclui apresentações de comédia, dança, teatro e música —, voluntários assistiram alternadamente a um número de comédia stand-up e a um drama teatral. Em condições de laboratório, a dor foi provocada por gelo em contato com o braço dos voluntários e por um medidor de pressão que comprimiu o punho até o limite do suportável.
No Festival Fringe, pediu-se aos voluntários que se inclinassem contra um muro com as pernas em ângulo reto, como se fossem se sentar em uma cadeira de encosto reto, antes e imediatamente depois do show para ver se o riso havia ajudado a reduzir a dor. De acordo com o estudo, apenas 15 minutos de risadas aumentaram o nível de tolerância à dor em cerca de 10%.
Nas experiências laboratoriais, a programação não humorística na televisão não demonstrou ter qualquer efeito de aliviar a dor, mesmo resultado (ou falta de) obtido ao se assistir a uma peça dramática no festival em Edimburgo.
O que funciona O estudo demonstrou, no entanto, duas importantes distinções. O único riso que funcionou foi aquele relaxado, não forçado, que faz os olhos apertarem, ao contrário do riso nervoso ou polido. Esse tipo de riso é muito mais provável de acontecer quando se está na companhia de outras pessoas do que sozinho. “Poucas pesquisas têm sido feitas sobre por que rimos e qual o papel do riso na sociedade”, afirmou o diretor do Instituto de Antropologia Social e Cultural da Universidade de Oxford, Robin Dunbar. “Usando microfones, conseguimos gravar cada um dos participantes e descobrimos que em um show cômico eles riram por cerca de um terço do tempo e sua tolerância à dor aumentou como consequência”, acrescentou.
Essa proteção derivou-se, aparentemente, da endorfina, uma substância química complexa que ajuda a transmitir mensagens entre os neurônios, mas também atenua os sinais de dor física e estresse psicológico. As endorfinas são um produto famoso dos exercícios físicos. Elas ajudam a gerar o bem-estar que se segue à prática de atividades como corrida, natação, remo, ioga etc.
No caso do riso, os cientistas acreditam que a liberação da substância ocorra devido a um esforço muscular repetido e involuntário que se dá quando a expiração não é seguida da tomada de fôlego. Exalar deixa as pessoas exaustas e, consequentemente, leva à liberação das endorfinas.
Nos experimentos feitos em laboratórios, os voluntários assistiam ora a clipes de comédia das séries Mr. Bean ou Friends, ora a trechos de programas não humorísticos, como uma partida de golfe ou programas sobre a vida selvagem. Enquanto isso, a resistência à dor dos participantes era monitorada pelos cientistas britânicos.
Em outro teste, realizado no Festival Fringe, de Edimburgo — evento anual que inclui apresentações de comédia, dança, teatro e música —, voluntários assistiram alternadamente a um número de comédia stand-up e a um drama teatral. Em condições de laboratório, a dor foi provocada por gelo em contato com o braço dos voluntários e por um medidor de pressão que comprimiu o punho até o limite do suportável.
No Festival Fringe, pediu-se aos voluntários que se inclinassem contra um muro com as pernas em ângulo reto, como se fossem se sentar em uma cadeira de encosto reto, antes e imediatamente depois do show para ver se o riso havia ajudado a reduzir a dor. De acordo com o estudo, apenas 15 minutos de risadas aumentaram o nível de tolerância à dor em cerca de 10%.
Nas experiências laboratoriais, a programação não humorística na televisão não demonstrou ter qualquer efeito de aliviar a dor, mesmo resultado (ou falta de) obtido ao se assistir a uma peça dramática no festival em Edimburgo.
O que funciona O estudo demonstrou, no entanto, duas importantes distinções. O único riso que funcionou foi aquele relaxado, não forçado, que faz os olhos apertarem, ao contrário do riso nervoso ou polido. Esse tipo de riso é muito mais provável de acontecer quando se está na companhia de outras pessoas do que sozinho. “Poucas pesquisas têm sido feitas sobre por que rimos e qual o papel do riso na sociedade”, afirmou o diretor do Instituto de Antropologia Social e Cultural da Universidade de Oxford, Robin Dunbar. “Usando microfones, conseguimos gravar cada um dos participantes e descobrimos que em um show cômico eles riram por cerca de um terço do tempo e sua tolerância à dor aumentou como consequência”, acrescentou.
Essa proteção derivou-se, aparentemente, da endorfina, uma substância química complexa que ajuda a transmitir mensagens entre os neurônios, mas também atenua os sinais de dor física e estresse psicológico. As endorfinas são um produto famoso dos exercícios físicos. Elas ajudam a gerar o bem-estar que se segue à prática de atividades como corrida, natação, remo, ioga etc.
No caso do riso, os cientistas acreditam que a liberação da substância ocorra devido a um esforço muscular repetido e involuntário que se dá quando a expiração não é seguida da tomada de fôlego. Exalar deixa as pessoas exaustas e, consequentemente, leva à liberação das endorfinas.
Depois do feijão transgênico, arroz híbrido do Brasil ganha impulso
Depois do feijão transgênico, cuja comercialização foi aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança no último dia 15, o arroz híbrido brasileiro ganhou um impulso. A Bayer CropScience anunciou nesta quarta-feira a compra dos direitos exclusivos de licença do programa de melhoramento Fazenda Ana Paula, especializada no desenvolvimento deste arroz. A empresa não divulgou os valores do acordo.
"O segmento de arroz híbrido desempenhará um papel importante no que diz respeito ao atendimento da crescente demanda global por produção de arroz de aproximadamente metade da população do mundo. Já temos a liderança mundial em sementes de arroz híbrido com o Arize® e pretendemos aumentar ainda mais os nossos híbridos – com genética superior e uma operação de sementes híbridas de primeira classe", disse Mathias Kremer, head global da unidade de negócios de BioScience da Bayer CropScience, em nota divulgada pela empresa.
Plantas transgênicas são diferentes de híbridas. O engenheiro agrônomo Marcelo Gravina, professor associado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e conselheiro do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), explica que a transgênica recebe material genético de espécies diferentes.
"A planta híbrida é aquela que resulta do cruzamento entre indivíduos pertencentes a duas linhas puras fenotipicamente (características físicas determinadas pelos genes e pelas condições ambientais) diferentes. Esse cruzamento pode ser por fecundação natural pelo vento ou por insetos ou ainda ela intervenção do homem através de fertilização artificial. Uma planta transgênica ou geneticamente modificada é uma aquela que contém um gene que foi inserido através da transformação genética, ao invés de adquirido naturalmente por polinização. O gene inserido, conhecido como "transgene", pode vir de outra planta ou mesmo de outra espécie completamente diferente", disse Gravina.
"O segmento de arroz híbrido desempenhará um papel importante no que diz respeito ao atendimento da crescente demanda global por produção de arroz de aproximadamente metade da população do mundo. Já temos a liderança mundial em sementes de arroz híbrido com o Arize® e pretendemos aumentar ainda mais os nossos híbridos – com genética superior e uma operação de sementes híbridas de primeira classe", disse Mathias Kremer, head global da unidade de negócios de BioScience da Bayer CropScience, em nota divulgada pela empresa.
Plantas transgênicas são diferentes de híbridas. O engenheiro agrônomo Marcelo Gravina, professor associado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e conselheiro do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), explica que a transgênica recebe material genético de espécies diferentes.
"A planta híbrida é aquela que resulta do cruzamento entre indivíduos pertencentes a duas linhas puras fenotipicamente (características físicas determinadas pelos genes e pelas condições ambientais) diferentes. Esse cruzamento pode ser por fecundação natural pelo vento ou por insetos ou ainda ela intervenção do homem através de fertilização artificial. Uma planta transgênica ou geneticamente modificada é uma aquela que contém um gene que foi inserido através da transformação genética, ao invés de adquirido naturalmente por polinização. O gene inserido, conhecido como "transgene", pode vir de outra planta ou mesmo de outra espécie completamente diferente", disse Gravina.
Os invisíveis na Bienal do Livro
Amanhã, sexta-feira, às 18 horas, no Círculo das Ideias (Bienal do Livro de Pernambuco), o escritor Luiz Ruffato conversa comigo sobre um tema bem instigante: "Os Invisíveis – A Prosa Proletária na Literatura Brasileira". Não se trata de panfletarismo, mas da constatação de que a arraia miúda (operários, trabalhadores urbanos, pequenos funcionários, biscateiros, manicures, motobóis etc etc) são não apenas socialmente invisíveis (como diria Bandeira, gente que não deixa o nome numa lápide), mas também literariamente. E eu me pergunto: que literatura é esta indiferente à maioria esmagadora de nossa gente? Onde estão nossos Charles Dickens, nossos Balzac, nossos Dostoiévski, nossos Zola? Eles existem, claro, de Lima Barreto a Gilvan Lemos, passando por Pagu, Dyonélio Machado, Roniwalter Jatobá e mais outros, mas são poucos. Entre eles, o próprio Ruffato – um dos escritores contemporâneos que mais admiro, não apenas pela qualidade estética de sua obra (de linguagem inovadora e experimental), mas por dar voz aos anônimos e invisíveis. Ruffato consegue uma bela simbiose forma-conteúdo, ao mesmo tempo em que nos comove com o grande painel que sua literatura faz da gente comum, sem paternalismos, demagogias ou concessões. A vida, como ela é, pulsa na obra de Ruffato e isso não é pouca coisa.
A obra de Ruffato compõe-se das coletâneas de contos Histórias de Remorsos e Rancores (1998) e Os Sobreviventes (2000), e dos romances Eles Eram Muito Cavalos (2001), ganhador dos prêmios APCA - Associação Paulista de Críticos de Arte e Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional e editado na Itália, França e Portugal; e da série O Inferno Provisório (verdadeira saga nacional), com os títulos Mamma, Son Tanto Felice, O Mundo Inimigo , Vista Parcial da Noite e O livro das Impossibilidades, a ser concluída este ano com o último título, além do delicioso Estive em Lisboa e Lembrei de Você (2009), da coleção Amores Expressos da Companhia das Letras.
Então, quem gosta de boa literatura e professa que tudo que é humano lhe interessa sinta-se convidado.
A obra de Ruffato compõe-se das coletâneas de contos Histórias de Remorsos e Rancores (1998) e Os Sobreviventes (2000), e dos romances Eles Eram Muito Cavalos (2001), ganhador dos prêmios APCA - Associação Paulista de Críticos de Arte e Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional e editado na Itália, França e Portugal; e da série O Inferno Provisório (verdadeira saga nacional), com os títulos Mamma, Son Tanto Felice, O Mundo Inimigo , Vista Parcial da Noite e O livro das Impossibilidades, a ser concluída este ano com o último título, além do delicioso Estive em Lisboa e Lembrei de Você (2009), da coleção Amores Expressos da Companhia das Letras.
Então, quem gosta de boa literatura e professa que tudo que é humano lhe interessa sinta-se convidado.
Lula doa prêmio de US$ 100 mil a país africano

Ao receber nesta quinta-feira (29) o prêmio Lech Walesa, na Polônia, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que decidiu doar os US$ 100 mil a um país africano. O país que receberá o valor será escolhido pelos diretores do Instituto Lula e pelos membros da fundação criada por Walesa. Lula também se encontrou em Gdansk com o sindicalista e ex-presidente polonês.
Walesa, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz, lembrou que quando conheceu Lula, em 1980, acreditou que estavam em caminhos diferentes. "Deixamos o comunismo e o senhor queria introduzir o socialismo. Parecia que estávamos em caminhos opostos, pois parecia não haver terceira via", comentou. "O senhor não tinha razão há 30 anos, mas hoje mostrou que tinha razão."
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, disse que Lula e Walesa fizeram mudanças radicais sem promover o caos em seus países. Para Tusk, os dois líderes promoveram o crescimento econômico e o bem-estar para as populações.
O prêmio Lech Walesa foi criado em 2008 pela fundação do ex-presidente polonês para reconhecer personalidades destacadas por seu apoio à liberdade, democracia e cooperação internacional. A fundação informou em nota que Lula foi escolhido "em reconhecimento por seus esforços para conseguir uma cooperação pacífica e a compreensão entre as nações, especialmente para reforçar o papel dos países em desenvolvimento no mundo dos negócios, e por sua contribuição para reduzir a desigualdade social".
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