domingo, 21 de março de 2010

Opinião Pública já era!, de Rafaela Torres Galindo


Sempre tive inveja de Lula. Sempre cobicei, imoderadamente, o seu eufemismo que, por vezes, soa tão bem aos ouvidos do populacho. Mas, desta vez, nosso “Hermes” brasileiro parece ter cambaleado ao comparar os presos políticos de Cuba a bandidos comuns, ou dizer que greve de fome não é pretexto para liberação de presos, em referência aos protestos de perseguidos políticos no País. A questão é muito simples. Os jovens de hoje e a opinião pública parecem não entender que é difícil para a geração de Lula falar mal dos Castro, condenar os fuzilamentos, as burrices que andam fazendo, porque Cuba, afinal, era tudo. O Lula, na realidade, é um nostálgico, isso mesmo, em nenhum momento ele se arrependeu de suas declarações, pelo contrário, a sua mente impregnou a lívida lembrança de um bando de garotos barbudos, lindos, com metralhadoras na mão, tomando a ilha, expulsando o ditador e fundando o socialismo, sonho máximo de generosidade.

Dizem que Lula e a candidata a sucessão do trono, ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, foram presos políticos no Brasil. Mas me digam o que isso importa agora? E dái? Isso tudo faz parte do passado, acreditem. Hoje não são mais do que meras lembranças de um ex-pobre, sindicalista e caboclo. O Lula anda de jatinho, ganha prêmios e é condecorado em países mundo a fora. O presidente é o cara. Acreditem! Em suas últimas declarações, Luís Inácio Lula da Silva defendeu que seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o regime dos aiatolás não PODEM ser comparados a Adolf Hitler. É isso mesmo! Para quem beijou a mão de Jader Barbalho, sim, aquele mesmo que foi pego acusado de formação de quadrilha e de desviar verbas da antiga Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia) qualquer afirmação que seja feita, é de se esperar e, ainda mais, de se louvar. A popularidade do presidente desmistifica qualquer certeza de realidade. Afinal, se 80% da população brasileira o admira, quem é a opinião pública para falar alguma coisa?

Os Fuzilamentos de três de maio, Goya

quinta-feira, 18 de março de 2010

Noel Rosa, o Poeta da Vila, tem repertório revisitado na festa dos Caranguejos Antenados



Quem marcar presença na festa dos Caranguejos Antenados conhecerá grandes obras do mestre Noel Rosa. Nascido no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro de 1910, o Poeta da Vila, como era conhecido, foi um dos maiores e mais importantes artistas da música no Brasil.

Sambista, cantor, compositor, bandolinista e violinista, Noel de Medeiros Rosa, através do rádio, principal meio de comunicação da época, deu contribuição fundamental na legitimação do samba de morro no “asfalto”. Em menos de dez anos de carreira, o Poeta da Vila criou uma incontável quantidade de músicas, muitas delas, atualmente, clássicos do samba de raiz.

Na celebração dos Caranguejos Antenados, o público poderá conferir clássicos do vanguardista, em suas gravações originais, como Com que Roupa (1929), Gago Apaixonado (1930), Onde Está a Honestidade (1933), Filosofia (1935), Palpite Infeliz (1935), além de vários outros clássicos que marcaram a introdução e a fusão do samba na cultura brasileira. Noel morreu no dia 4 de maio, em 1937, vítima da tuberculose.

A Tentação de Santo Antônio, de Dalí

Agenda Cultural

Sexta-feira (19) - Apresentação gratuita das bandas Semente de Vulcão e Elementos, às 22h, na Casa da Moeda.

Sábado (20) - Show com as bandas Tacape e Mandala, às 23h, no N.A.V.E. Ingressos R$ 7.

Vamos Todo Poderoso Timão!!!


Valeu Timão! Ao contrário de muitos comentaristas que não entendem nada de futebol e ainda se arriscam a dar palpites infundados, afirmo que o Corinthians tem hoje o melhor elenco, sim, e a melhor disposição tática do país. Concordo com o Mano Menezes ao afirmar que o Todo Poderoso tem que melhorar muito mais. Melhorar para dominar de vez o ranking dos melhores times do Brasil e papar a tríplice coroa. Ontem, na vitória fora de casa contra o Cerro Porteño, do Paraguai, foi dado mais um passo para a ascensão que todos esperam da equipe em 2010, no ano do centenário do campeão dos campeões.

A equipe do Paraguai conheceu a força da nação corintiana, que invadiu o Defensores del Charco para empurrar o Corinthians na conquista do seu maior objetivo, a Taça Libertadores da América. A marcação foi a marca do jogo. O Corinthians definitivamente não deixou o Cerro Porteño jogar. Com três volantes, Ralf, Jucilei e Elias, a falta de criatividade dos jogadores paraguaios esbarraram na marcação forte do timaço e inviabilizaram qualquer jogada que provocasse algum perigo para a meta do goleiro Felipe.

Com o oportunismo do atacante Ronaldo, que deixou o dele após cinco partidas sem marcar, o Corinthians sai do Paraguai líder, invicto e com a melhor campanha dos times brasileiros até aqui. Vale frisar que com a equipe que Mano possui em mãos, realmente precisa-se melhorar bastante, já que o Timão vive de títulos. Diferentemente dos outros treinadores, como o Dorival Jr., do Santos, que acha que seu time é o melhor do mundo porque tem ganho de times como o Naviraiense. Quero ver quando nos batermos nas semi-finais do paulistão, se vai dar R9 ou o menino mais menino do que nunca, Neymar.

sexta-feira, 5 de março de 2010

A Paraíba fica na Rua do Lima

A arte contemporânea paraibana está fincando terreno na Rua do Lima. Primeiro foi Thiago Verdee, que expôs na inauguração do Espaço Muda, em janeiro. Depois veio Shiko, atualmente em cartaz no mesmo lugar. E agora, coincidência ou não, é a vez de Thiago Trapo, também de João Pessoa, mostrar a cara no Núcleo de Artes Visuais e Experimento - Nave. A exposição de Trapo tem abertura hoje no local, às 20h, sob o título de Tropical 2d.
A exposição de Trapo, 24, foi praticamente toda elaborada para o Nave. São oito pinturas, um objeto/instalação e um painel de parede, trabalhos que abusam do colorido e de materiais reaproveitados, como pedaço de madeira encontrada em terreno baldio. É evidente o diálogo de Trapo com a street art, embora ele não goste de se definir como artista de rua. De fato, ele não é. Não mais. Na adolescência, chegou a pichar muro. E foi nessa época que ganhou o apelido de Trapo. Hoje ele aceita que o grafite que está se fazendo atualmente é muito institucionalizado e publicitário. De toda forma, a relação estética está lá. O painel sobre a parede (2,30m x 6m, técnica mista), intitulado Da Maquinaria Humana, é uma identificação direta disso. Mas é possível observar também um resquício de pichação nos símbolos espalhados pela obra.